Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Notícias

AT e o Judiciário

 Projeto com adolescentes abrigados escolhe o AT como meio de tornar a experiência do desabrigamento menos traumática e proporcionar à pessoas institucionalizadas desde a infância condições para o exercício da vida adulta. Para conhecer um pouco mais deste trabalho entrevistamos a coordenadora do projeto, Ananéia Machanoscki Bezerra.

 

Gostaria que você contasse um pouco sobre o projeto

 

Ananéia: Em contato com o judiciário da cidade conheci a realidade de crianças e adolescentes que são acolhidos institucionalmente e, por diversos motivos, a passagem pelo abrigo se estende ao tempo de dois anos previsto pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Ao longo do tempo, portanto, as crianças se tornam adolescentes institucionalizados.

 

O Projeto é para adolescentes?

 

Ananéia: Sim. Pensamos na dificuldade deles no momento de sair do abrigo, com a maioridade. Para os adolescentes envolvidos no Projeto havia pouca ou nenhuma possibilidade de retorno ao convívio familiar.

 

Sendo desabrigados, você pensa que os adolescentes enfrentarão muitas dificuldades?

 

Ananéia: Penso que a vinculação afetiva foi construída em grande parte com as pessoas do abrigo. Alguns adolescentes estão neste regime há 14, 15, 16 anos de suas vidas. Por isso, é fundamental procurar vinculação com o que a comunidade oferece e a construção de uma autonomia que os possibilite vivenciar, de forma mais efetiva para si e para o outro, as experiências da vida adulta.

 

Por que AT?

 

Ananéia: Porque esta é a atividade terapêutica que pode, junto do adolescente, criar e desenvolver um projeto de vida. É justamente na comunidade que podem estar outros interesses verdadeiros dos adolescentes, que terão pelo menos seis meses, com seus at’s, para descobrir as opções que a cidade oferece, as prioridades para investir neste período, identificarem seus desejos quanto ao que fazer da própria vida e iniciar a criação das condições para tanto.

 

Como surgiu a idéia deste Projeto?

 

Ananéia: A iniciativa do Projeto contou com o apoio do Setor Técnico do Fórum da cidade, que percebeu a demanda, e a articulação entre a coordenação do projeto e o abrigo, que abriu suas portas para darmos início a este trabalho tão importante. Foi fundamental a comunicação entre estes três setores, para que o Projeto tenha dado seu início e tenha caminhado. Vale ressaltar que não existem políticas publicas específicas para os adolescentes nesta situação.

 

E os adolescentes?

 

Ananéia: Os adolescentes têm potencial para criar condições e desenvolver seus projetos de vida porque estão numa fase em que muitas coisas se apresentam para eles, a vida abre um leque de opções, que ora os deixa confusos, mas que, com a presença de um outro que tome seus gestos e fala na sua dimensão sensível e tendo apoio do entorno que respeita estas condições, podem muito bem alcançar aquilo que querem. 

 

Ananéia é psicóloga, at, psicanalista

com formação pelo Instituto Sedes Sapientiae e Membro da AAT.

Contato através do email ananeia@ig.com.br